Acervo - Violas de Queluz

Minha paixão por colecionar instrumentos musicais vem desde a época da faculdade, quando surgiu a vontade de comprar instrumentos usados. Era vontade de ter em mãos instrumentos dos mais variados tipos para conhecer, tocar e experimentar. Gostava mais dos antigos, com ar saudosista, e que não raro me surpreendiam pelo maior capricho em sua construção. Foram aparecendo violões, bandolins, guitarras, contrabaixos e afins, até que um dia apareceu a viola antiga da tia Fátima.

O encanto daquela violinha meia-regra me fez parar tudo para pesquisar sobre o universo deste instrumento, até que cheguei na origem, no início de tudo; na Viola de Queluz. Percebi que este era o instrumento artesanal mais importante do Brasil. Era o barroco mineiro esculpido nas violas com a mesma criatividade e ousadia que os mestres faziam nos adornos das igrejas de Ouro Preto e Congonhas, cidades vizinhas do berço destas violas – Queluz de Minas.

Em 2006 adquiri a primeira das mais de trinta violas artesanais que tenho hoje em meu acervo, sendo quase vinte delas autênticas Violas de Queluz, e como resultado da exaustiva pesquisa, conseguir resgatar modelos que foram fabricados entre 1880 e 1940. Durante este trabalho, descobri que elas apareceram por volta de 1840 pelas mãos de artesãos descendentes de portugueses nas localidades rurais daquela região

A primeira viola que encontrei estava para ser jogada fora junto com os restos de entulho e lixo no canto da casinha rural onde foi encontrada. Pertenceu ao bisavô da geração que ali vivia. Não acreditavam em solução para o instrumento, e assim a viola seguia para um triste fim, mas naquele dia convenci o dono de que o instrumento poderia voltar a tocar. Pelo lastimável estado de conservação da viola, por um instante duvidei daquilo que havia falado ao rapaz, mas na volta para casa senti um alívio por tê-la encontrado a tempo, e desejei ver esta violinha com a aparência original de quando foi fabricada.


Vanderson com a Queluz Meirelles de seu avô

Aplicando verniz goma na viola já restaurada

Pouco tempo se passou e no final de 2006 procurei o luthier Vergílio Lima em busca de informações sobre a possibilidade de “ressucitar” a linda viola, e após analisá-la, verificou que sua estrutura estava sólida, e que seria possível a restauração. Na oportunidade Vergílio me informou sobre o curso de luthieria que estava prestes a começar. Fui então seu primeiro aluno a fazer o aprendizado específico de restauração.


Violas na antiga oficina - Gravação Programa Rede Minas

Hoje sigo restaurando as violas do meu acervo em atividade paralela à construção dos violões, e espero que dentro de alguns anos eu possa ver todas estas violas em perfeito estado de conservação e originalidade, contribuindo assim para que as Violas de Queluz ainda sejam admiradas por muitas gerações que virão.